sexta-feira, 29 de julho de 2011

No cosmos, um gigante também é um berlinde:

A imen­sidão do Uni­verso e a es­cala mons­truosa das es­trelas é im­pres­si­o­nante. Este con­junto de ima­gens da NASA per­mite per­ceber até que ponto um gi­gante se pode tornar um mí­sero ponto no Es­paço. É tudo uma questão de pers­pec­tiva.


Para um hi­po­té­tico ha­bi­tante de Mer­cúrio, a Terra pa­re­ceria quase um gi­gante. Os ter­rá­quios se­riam in­ve­jados pela quan­ti­dade de su­per­fície ao seu dispor. Mas um ju­pi­te­riano, por seu turno, rir-se-ia do nosso mi­nús­culo pla­neta.
O Sol é a fonte de vida – e, ao nosso olhar, é imenso. Até o gi­gan­tesco Jú­piter – o maior pla­neta do Sis­tema Solar – é, perto dele, um ponto in­sig­ni­fi­cante. Mas à me­dida que o nosso olhar al­cança mai­ores pro­fun­di­dades no Es­paço, des­co­brimos que a nossa pre­ciosa es­trela é apenas um ob­jecto de média gran­deza.

Si­rius, a es­trela mais bri­lhante do céu, é 2,4 vezes maior que o Sol e en­contra-se a apenas 8,57 anos-luz: à es­cala as­tro­nó­mica, é como se mo­rasse no quar­teirão ao lado. Mas a vida na Terra seria im­pos­sível se este gi­gante es­ti­vesse no nosso quar­teirão.

Si­rius é enorme, mas também se torna in­sig­ni­fi­cante quando com­pa­rado à gi­gante ver­melha Al­de­baran, uma es­trela «in­chada» que já gastou todo o seu hi­dro­génio e que obtém energia através da fusão do hélio. É quase 50 vezes maior do que o Sol; a sua lu­mi­no­si­dade é 150 vezes maior. Está a 65,1 anos/luz da Terra.

As mons­tru­osas es­calas do Uni­verso não cessam de nos ator­mentar: a gi­gante Al­de­baran é pouco mais do que um ber­linde cós­mico quando co­lo­cada ao lado de An­tares, uma su­per­gi­gante ver­melha 300 vezes maior do que o Sol e 10 mil vezes mais bri­lhante. En­contra-se a 600 anos/luz de dis­tância.

E até a su­per­gi­gante ver­melha An­tares pa­rece pe­quena quando com­pa­rada com um dos mai­ores co­lossos es­te­lares que co­nhe­cemos: a es­trela VV Cephei, entre 1600 a 1900 vezes maior que o Sol. Os as­tró­nomos es­timam que esta es­trela po­derá ser até 575 mil vezes mais lu­mi­nosa. Ima­ginem que a co­lo­cá­vamos no lugar do Sol: a sua su­per­fície es­tender-se-ia para além da ór­bita de Jú­piter.
Tão im­pres­si­o­nante como esta vas­tidão é o facto de nela vi­verem pe­quenos seres ca­pazes de com­pre­ender a in­sig­ni­fi­cante po­sição que a sua es­pécie ocupa no Cosmos. Talvez a res­posta para os grandes mis­té­rios da exis­tência não es­teja em saber porque es­tamos vivos mas em per­ceber porque razão somos tão in­te­li­gentes.
O má­ximo que po­demos re­bentar é o nosso pró­prio pla­neta – nada de es­pe­cial. Somos já ca­pazes de lhe des­truir o equi­lí­brio eco­ló­gico, mas ainda não po­demos des­truir o Sol. Não obs­tante a sua pouca im­por­tância no Cosmos, temos muito a agra­decer-lhe: em cinco bi­liões de anos de vida nunca nos faltou um único dia. Ti­vesse o Sol um mi­li­o­né­simo da nossa na­tu­reza agres­siva e ins­tável, e talvez nunca ti­vesse exis­tido vida na Terra.
Talvez exista algum pro­pó­sito oculto na nossa in­sig­ni­fi­cância. Somos seres ex­tra­or­di­ná­rios, am­bi­ci­osos e so­nha­dores, in­te­li­gentes e de­ter­mi­nados, mas an­damos sempre a fazer as­neiras. As dis­tân­cias e es­calas do Cosmos co­locam-nos no nosso de­vido lugar e im­pedem-nos de mexer onde não de­vemos

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